| out , 09 , 2019

Festival de arte para população de rua descobre talento em abrigo



O jovem cartunista sonha com uma oportunidade de estudo para aperfeiçoar seu dom.
A história de Benício é a mesma de muitos jovens que vem ao Rio de Janeiro em busca de uma oportunidade.

Ele saiu de sua cidade natal, Belo Horizonte (MG), em busca da realização dos seus sonhos, mas, infelizmente, foi vítima da violência urbana e teve seus documentos e dinheiro roubados ao chegar à cidade.

Sem ter para onde ir, o jovem aceitou a ajuda das assistentes sociais do município, que fazem o trabalho diário em todos os bairros da cidade, de atendimento e acolhimento na rede da assistência social a quem precisa de abrigo e, há cinco meses, ele está hospedado em uma unidade da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH).

Entre as atividades propostas no abrigo, o jovem escolheu participar das aulas de teatro ministradas pelas professoras Mariana Bueno e Giovanna Abbud, do projeto Circulando, onde estava acontecendo a preparação para a peça de teatro “Um coração nordestino”, que foi apresentada no primeiro festival de artes para população de rua, intitulado “Desculpe Incomodar”, sendo que durante os ensaios os colegas de turma comentaram com as professoras o quanto o artista era talentoso e passava o tempo desenhando.

Logo elas reconheceram o talento do jovem por meio de sua arte: “Acho que tudo tem um propósito e seria incrível se o Benício tivesse uma oportunidade de crescer como profissional, pois talento ele tem, além de ser muito esforçado. Era sempre o primeiro a chegar aos ensaios e o último a sair, mesmo não sendo a área dele, pegou o texto e decorou, e o tempo todo entregou o seu melhor no palco” – reforça a professora Giovanna Abbud.

Durante o Festival, além da participação na peça de teatro, Benício foi convidado a apresentar sua arte na oficina de Cartografia dos Afetos, onde também se destacou pela sua representatividade e expressão artística.
“O desenho sempre fez parte da minha vida. Meu pai era pintor, desenhista e escultor. Eu o via trabalhando e queria imitar. Antes de entrar na escola, já fazia meus desenhos” – lembra o jovem de 23 anos.

Hoje, com acompanhamento da equipe técnica da SMASDH, Benício já conseguiu tirar a segunda via dos documentos e está sendo encaminhado para os programas socioassistenciais da Prefeitura. O cartunista concluiu o ensino médio e o maior desejo dele é dar continuidade nos estudos para aperfeiçoar seu dom e trabalhar com o que mais ama fazer: criar e desenhar.

“Meu sonho é fazer animação com meus desenhos. Quem sabe, futuramente, terei minha própria produtora.” – revela o cartunista.



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