Publicado em: 07/ ago/ 2026

Entender estereotipias no autismo é combater preconceito e garantir acolhimento

Entender as funções das estereotipias no espectro autista é o primeiro passo para promover a inclusão, o respeito e a autonomia de pessoas neurodivergentes.

A Sinc-Rio reforça as ações de conscientização sobre as estereotipias no Transtorno do Espectro Autista (TEA). Conhecidas popularmente como “stims” ou movimentos repetitivos, as estereotipias são comportamentos motores ou vocais que desempenham papéis cruciais na autorregulação emocional e sensorial de pessoas autistas.

A iniciativa visa educar a população, combater atitudes capacitistas em espaços públicos e orientar famílias e profissionais sobre a importância do respeito a essas manifestações no cotidiano.

O que são estereotipias e por que elas acontecem:

As estereotipias são ações involuntárias ou voluntárias e repetitivas que podem se manifestar de diversas formas, como o balançar do corpo (rocking), o agitar das mãos (flapping), a repetição de sons e palavras (ecolalia) ou o foco contínuo em objetos giratórios. Longe de serem “manias” ou “comportamentos sem função”, essas ações servem como mecanismos vitais de adaptação ao ambiente.

Elas ajudam a pessoa no espectro a gerenciar a sobrecarga sensorial (como luzes e ruídos excessivos), canalizar emoções intensas de alegria ou ansiedade e manter o foco mental em situações desafiadoras.

Respeito e inclusão nos espaços públicos:

Suprimir as estereotipias de forma indiscriminada pode gerar sofrimento, estresse e aumento da ansiedade na pessoa autista. Especialistas apontam que intervenções só devem ocorrer quando o movimento causar dor ou risco de lesão à própria pessoa ou a terceiros. Nos demais casos, a aceitação social e a adaptação do ambiente são os caminhos corretos para garantir o bem-estar e o direito de ir e vir sem constrangimentos.

A palavra da Secretaria:

O secretário especial de Inclusão, João Mendes de Jesus, destaca a necessidade de transformação cultural em relação ao tema.

“As estereotipias não são comportamentos a serem reprimidos por uma questão de conveniência social, mas são formas legítimas de comunicação e autorregulação das pessoas autistas. Nosso papel como poder público e sociedade é educar a população para que o olhar de julgamento dê lugar ao acolhimento. Uma cidade inclusiva de verdade é aquela que entende e respeita o jeito de ser e de estar no mundo de cada indivíduo”.

Como agir diante de estereotipias de uma pessoa autista.

Respeite o espaço: Não tente interromper nem segurar as mãos ou o corpo da pessoa enquanto ela se autorregula.

Evite julgamentos: Entenda que os movimentos repetitivos não são “birra” ou falta de educação.

Reduza estímulos: Se perceber estresse, ajude a diminuir o barulho, as luzes fortes ou o excesso de pessoas ao redor.