Publicado em: 09/ ago/ 2021
João Mendes diz que estado e município tem de criar empregos urgentemente às mulheres negras

O vereador João Mendes de Jesus (Republicanos) analisou o estudo da Prefeitura do Rio de Janeiro que indica desemprego de 22% para as mulheres negras. Porém, o vereador há muito tempo se preocupa com o desemprego em massa que ocorre no Brasil, e em especial no Rio de Janeiro, desde o ano de 2016, com o recrudescimento da crise econômica a partir de 2019/2020, em que coloca o Rio de Janeiro, estado e capital, como líder de desemprego no Brasil.
Para o parlamentar do Republicanos, a crise no comércio e na indústria tem também muito a ver com os setores gigantes da economia fluminense, a começar pelos setores petrolíferos, indústria naval e nuclear, que a partir de 2015 sofreram vários revéses administrativos e, por conseguinte, os recursos financeiros que o Estado e a capital do Rio de Janeiro diminuíram ou demoraram para serem repassados a quem de direito, no caso o Estado fluminense.
O resultado dessa crise foi o aumento exponencial do desemprego, a vitimar principalmente as camadas mais populares da sociedade carioca e fluminense, que ficou exposta a uma situação com maior perversidade em segmentos sociais como o das mulheres negras, que geralmente moram em favelas e ou nas periferias, com o acesso ao ensino educacional limitado e com dificuldades de se empregar, até porque com a crise econômica radicalizada ainda mais pela pandemia do coronavírus, mais vagas de emprego foram extintas, o que também levou o dinheiro a circular bem menos e, consequentemente, atingir inúmeros setores como as micro, pequenas e médias empresas, que são as maiores e mais importantes empregadoras do País e do Rio de Janeiro.
“Trata-se de um absurdo termos 22% de mulheres negras desempregadas. É muita gente, ainda mais que essas mulheres são mães, sendo que muitas delas são chefes de famílias. Entretanto, é necessário dizer que, além de serem mulheres e negras, existe a questão do preconceito de origem de classe e racial, o que significa o aumento das desigualdades sociais em um País que há séculos lida muito mal com graves questões econômicas, sociais e desigualdades, além da violência que tem característica de epidêmica no Rio de Janeiro e outros estados da Federação” — afirma João Mendes de Jesus.
O parlamentar ressaltou ainda que é imperativo investir em políticas públicas de inclusão, de maneira que as pessoas façam escolas técnicas e cursos universitários, além de a escola pública receber mais atenção por meio de orçamentos maiores. João Mendes disse ainda que grande parte das mulheres negras trabalham no setor de serviços, que emprega os trabalhadores que não tem muito estudo, sendo que com a pandemia do coronavírus a situação se tornou dramática porque muita gente foi demitida.
“O estudo da Prefeitura do Rio é muito útil e abrangente, mas servirá como fonte de conhecimento e de alerta à sociedade para que nos mobilizemos e possamos lutar com mais precisão e efetividade para revertermos esse quadro de desemprego tão dantesco, pois considero desumana e desigual as condições em que vivem milhões de brasileiros” — assevera o João Mendes de Jesus, para logo complementar. “Por sua vez, o índice de desemprego relativo às mulheres negras é 7,3% maior do que o índice de outros grupos sociais da cidade do Rio de Janeiro”.
Desemprego em 2020
Mulheres negras – 22%
População em geral – 14,7%
A crise econômica ficou mais grave a partir de 2015, recessão econômica somada à inflação que se verifica com mais força a partir de 2019, e triplicou de tamanho, sendo que triplicou o desemprego entre as mulheres negras cariocas, como exemplifica o Boletim Econômico do Rio de Janeiro.
Desemprego entre mulheres negras:
1º Trimestre de 2015: 6,9%;
1º Trimestre de 2017: 14,6%; e
4º Trimestre de 2019: 17,6%.
Média de desemprego no ano de 2020: 22%.
-> As mulheres brancas têm mais do que o dobro de acesso a um curso superior em relação às mulheres negras
Mulheres negras na informalidade: 40%
Curso superior:
Mulheres brancas: 44,6%; e
Mulheres negras: 21,3%
A instrução de má qualidade faz com que as ofertas de empregos para as mulheres negras diminuem, bem como a qualidade dos empregos pioram, além do aumento da informalidade, o que causa insegurança trabalhista e previdenciária, assim como prejudica o Rio e o País no que se trata da concorrência no mercado internacional. Gente menos instruída é igual a gente incapacitada.
