Publicado em: 28/ set/ 2022

Lamsa: o Crivella tem razão!

*Por João Mendes de Jesus

Nada como um dia após o outro, assim como sabemos que o tempo é o senhor da razão. E não é que a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro entrou em conflito com a Lamsa, a concessionária da Linha Amarela e pertencente ao Grupo Invepar, que controla, desde 1997, uma das principais vias da cidade do Rio, a cobrar preços exorbitantes, que atingem, em cheio, o direito constitucional de ir e vir dos cidadãos cariocas.

A população, na verdade, é explorada arbitrariamente por empresários multimilionários, que somente visam o lucro sem dar qualquer retorno à sociedade e, principalmente, a milhares de motoristas que transitam na Linha Amarela, a pagar diariamente, no mínimo, R$ 8 reais, pois são cobrados R$ 4 reais na ida e mais R$ 4 reais na volta. Esse preço é apenas para carros comuns.

A Lamsa, conforme o ex-prefeito Marcelo Crivella, apossou-se não apenas de uma importante via construída com o dinheiro público do contribuinte carioca, mas, sobretudo, demonstrou arrogância e desapreço pela autoridade constituída pelo voto popular, a recorrer a liminares por meio de chicanas jurídicas e, com efeito, manter seu império financeiro sem dar quase nada de retorno, como disse anteriormente, à população da capital do Rio de Janeiro.

A concessionária da via expressa é useira e vezeira em cobrar pedágios de preços escorchantes, bem como é também acusada de praticar superfaturamento em obras, fatos esses, se comprovados, motivarão o poder público a anular o aditivo que estende por mais 15 anos o contrato, que permite à Lamsa explorar a concessão, o que por si só já é um absurdo, porque estava previsto que a concessão terminasse no fim de 2022.

Do contrário, a Lamsa só encerrará suas atividades na Linha Amarela no longínquo ano de 2037, o que é o fim da picada, porque o povo carioca não aguenta mais ser explorado por essa empresa de tarifas abusivas. Além do mais, Crivella, quando prefeito, teve acesso a informações da Controladoria-Geral do Município do Rio de Janeiro, que realizou sindicância que apontou prejuízo de R$ 1,6 bilhão aos cofres da Prefeitura no que é relativo à concessão da Linha Amarela.

Esses valores bem acima do bilhão teriam sido alcançados por parte da concessionária por meio de cobrança de tarifa além do necessário com a intenção de manter o equilíbrio do contrato e o fluxo subestimado de veículos, assim como por intermédio de sobrepreço em obras. Enfim, a Lamsa foi acusada de praticar tais medidas, que se forem investigadas com seriedade, a verdade naturalmente aparecerá.

Agora verificamos que o atual prefeito, querendo ou não, está a dar razão ao ex-prefeito Marcelo Crivella, que desde 2019, por meio da Justiça e depois por intermédio de intervenções diretas como o fechamento de cancelas e o corte de energia, dentre outras inúmeras ações, luta para que seja restabelecida a ordem, de maneira que a Linha Amarela volte para as mãos do poder público, que posteriormente dará sequência às questões de concessão e cobranças de tarifas de maneira republicana e financeiramente justas para o povo carioca.

Por enquanto, tal realidade nada agradável acontece há 25 anos, porque a Lamsa somente tem como propósito cobrar pedágios caríssimos, que causam prejuízos à economia popular e, por sua vez, grande indignação. É o que se vê e o que se sente. Se há alguma dúvida quanto à realidade que se apresenta, basta para isso entrevistar os motoristas que param nos pedágios da Linha Amarela para pagar as altas tarifas. As reclamações são inúmeras e incontáveis.

Crivella já avisou que se for eleito deputado federal irá propor a CPI da Linha Amarela e, por seu turno, abrirá um leque de convocações de pessoas, bem como a realização de depoimentos e investigações que, evidentemente, colocarão os pontos nos is, além de mostrar quem de fato são aqueles que desejam manter esse estado de coisas, que somente prejudica gravemente a população carioca e apenas enriquece os empresários, donos de uma concessionária, que não tem nenhuma preocupação com a sociedade e seus interesses. Vamos observar os próximos capítulos dessa novela que não tem a menor graça.

O Crivella sempre teve razão.

*João Mendes de Jesus é vereador da cidade do Rio de Janeiro pelo Republicanos.