Publicado em: 05/ fev/ 2021
Sabedoria Popular

*Alcir Pimenta
O povo não é massa informe que se vá amoldando facilmente ao recipiente em que o queiram colocar. Só quem é capaz de entendê-lo, em qualquer circunstancia, é que pode tê-lo espontaneamente dócil. Quem o julga sem coração e sabedoria, empenhado apenas em satisfazer as necessidades do estomago, já mais logrará penetrar-lhe os sentimentos, entender-lhe as queixas ou captar-lhe a atenções.
Há algo de misterioso na consciência popular. A alma do povo é um manancial de amenidades a fluir ininterruptamente para aqueles que o amam sem explorá-lo. Ninguém intimida o povo. Ninguém o faz recuar na sua marcha resoluta em defesa de um direito ou em prol de um ideal.
O grande erro do caçador de votos é supor que pode comprar a consciência do homem da rua, quer pode iludir-lhe a boa fé, que pode, enfim, demove-lo de uma decisão refletida. Quando o povo quer, nada há que amedronte. Laboram, portanto, em equivoco os que ainda se julgam em condições de submetê-lo pela força e pela coação.
É inútil copiar modelos ou repetir exemplos. A sabedoria popular distingue perfeitamente o espontâneo do artificial. Assim, as mesuras excessivas e despropositadas, os salamaleques, os rapapés, não só lhe desagradam, mas até lhe causam repugnância. O povo quer, antes de tudo, sinceridade, trabalho e humildade.
O líder autocrático não é líder, porque o povo, ainda quando o aceite, não o ama, tornando-se, portanto, ilusório a internação entre eles. Da mesma forma, cai em desgraça popular o bajulador, porque este põe em duvida a honradez do homem humilde, admitindo-o como sem vontade, sem caráter e sem inteligência.
(*Alcir Pimenta é professor de Língua Portuguesa e Literatura e ex-Deputado Federal pelo Estado do Rio de Janeiro.)
