Publicado em: 23/ jun/ 2022

João Mendes diz que empreendedorismo negro é uma das saídas para igualdade de oportunidades

O vereador João Mendes de Jesus (Republicanos) afirmou hoje, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que o empreendedorismo negro ainda engatinha em relação ao número de habitantes que se consideram negros ou pardos no que concerne à população brasileira de 213 milhões de habitantes. Para o vereador, o empreendedorismo negro é uma das saídas para igualdade de oportunidades.

Contudo, o parlamentar do Republicanos apresentou números e índices quanto a esta realidade de desigualdade social, que tem como base a desigualdade racial, porque, segundo João Mendes, a pobreza, a miséria, o desemprego e a violência tem cor, sendo que a cor é a preta, pois grande parte da população do País é negra, de forma que é ela que se torna vítima de realidades duras que remontam à escravidão.

Por causa dessa triste e indigna condição social em que a população negra está a enfrentar, que o vereador João Mendes defende a urgente inclusão da população negra na sociedade, por meio de pesados investimentos em urbanização, saneamento básico, moradia, emprego, saúde e, principalmente educação, o que certamente, de acordo com o vereador, o Brasil rapidamente se tornaria uma potência de ordem mundial, a ter um povo que vive em condições dignas de vida para produzir e viver em paz.

“A verdade é que o empreendedorismo negro, além de se mobilizar coletivamente com vários grupos a se associarem para de forma cooperativa e também independente, certamente que o estado necessita também cooperar e favorecer as condições para que os negros e as negras empreendedores possam ter também acesso ao crédito e, com efeito, poder investir nos seus negócios, o que gerará emprego e renda, a formar um círculo virtuoso de desenvolvimento e bem-estar social” — afirma João Mendes de Jesus.

Porém, enquanto as coisas não acontecem a contento para as pessoas negras que querem ser donas de seus negócios, dados recentes do Instituto Locomotiva e da Feira Preta revelam que o rendimento per capita médio da população negra em 2018 foi de apenas de R$ 912 reais menor do que da população branca no Brasil, valores que pioraram nos anos seguintes, com a crise dos combustíveis, a pandemia, além de inflação de dois dígitos, com recessão e, evidentemente, alto desemprego ocasionado por falências de unidades do comércio, indústria e serviços, que são grandes empregadores. Com isso, a taxa de desocupação média, em 2018, foi de 4,6% maior para as pessoas que se identificam como pretas ou pardas.

Esses números, segundo o parlamentar, destacam a desigualdade social no Brasil, recrudescida pela cor da pele, o que se torna urgente, diante desse preocupante cenário, estabelecer estratégias de luta que tem por finalidade propiciar meios e mecanismos que promovam a igualdade racial no País. Além disso, o empreendedorismo atrai 85% da população negra, sendo que para 25% é o maior sonho. Porém, como sempre, nove em cada dez pessoas pretas tem de enfrentar quase um inexorável obstáculo: a falta de dinheiro.

Vontade de empreender — A resumir, entre homens negros, o percentual é de 83%, chegando a 88% entre mulheres negras. Os resultados do estudo foram divulgados em primeira mão em “Pequenas Empresas & Grandes Negócios”. A pesquisa ouviu 2.029 homens e mulheres com mais de 18 anos, sendo 560 empreendedores, em todo o Brasil, entre os dias 23 e 30 de setembro de 2021.

“Quero asseverar que as questões negras estão cada vez mais relevantes na segunda metade do século XXI. É visível os movimentos em direção à igualdade de oportunidades, apesar de se reconhecer que as condições de vida e as oportunidades dadas aos negros são muito menores do que as recebidas pela população branca, que também tem pobres” — afirma João Mendes de Jesus, para logo complementar:

“Os cidadãos negros e as cidadãs negras, brasileiros e brasileiras, que são eleitores e pagam impostos, precisam ter acesso ao chamado black Money, ou seja, que os prestadores de serviços e comerciantes em geral façam circular o dinheiro em suas comunidades, a comprar entre si os diferentes produtos e serviços propiciados por suas mão e mentes, sendo que a partir dessa concepção o dinheiro passe a circular e, por conseguinte, gerar empregos, sem esquecermos que o estado tem a obrigação de conceder créditos e facilitar a iniciativa por parte das pessoas em abrir seus negócios” — conclui João Mendes de Jesus.